Casa da Flor
A casa da flor, fica no alto de um outeiro, com uma escadaria de pedras irregulares, tem vários jarros de fores petrificadas cujas pétalas são formadas por cacos de pratos marcando os níveis da escada.
As paredes da pequena construção são completamente cobertas de pedaços de coisas quebradas, formando fores, mosaicos e desenhos simétricos, compondo um bordado alucinante e barroco.
Construída durante décadas com o acúmulo de restos, como búzios, conchas e outros depósitos da lagoa, detritos industriais, pedaços de azulejos e faróis de automóveis a Casa da Flor, nas palavras de Gabriel Joaquim dos Santos, artista negro e pobre, é uma casa feita de "cascos transformados em flor"
Cercando a habitação, um estranho muro levantado com pedaços de telhas, tijolos e potes de barro.
Flores e esculturas ponteiam este muro. Por um corredor chega-se à porta de entrada. Dentro, se vê as paredes, todas preenchidas de enfeites, milhares de cacos coloridos aplicados, numa decoração luxuriante.
Em 1899, Benevuto Roque Joaquim dos Santos, ex-escravo, comprou uma propriedade de "550 braças de terra” em São Pedro, no distrito de Vinhateiro, no limite com o município de Cabo Frio. Com a mulher e os doze filhos fundou um lar. A família e os herdeiros viveram sempre aí . Os homens trabalhando a terra e as mulheres fazendo potes de barro para vender.
Um dos filhos de Benevuto, Gabriel Joaquim dos Santos, nascido em 13 de maio de 1892, em São Pedro, tinha a intuição, segundo ele, de que iria viver sozinho. Depois do trabalho inicial de construir sua casa, terminada a obra, veio-lhe, no ano de 1923, a idéia de enfeitar a casinha. Não tendo dinheiro, ele começou a fazê-lo com o refugo das construções e coisas quebradas encontradas no lixo.
Começando com o enfeite em formato de flor, que de tão estilizado e utilizado em outras partes da casa, acabaria dando o nome para ela.
Pessoas conhecidas e vizinhos passaram a colaborar com aquela arquitetura bizarra, como o próprio Gabriel dizia: "Era uma casa feita do nada".
A combinação dos elementos, com uma singular capacidade artística, tem atraído curiosos e especialistas. Segundo o antropólogo Claude Lévi Strauss, a Casa da Flor é uma "bricolage”, operação que consiste em remendar coisas ou fazer objetos de outros objetos.
Com 92 anos, em 3 de março de 1985, o artista sonhador morreu. Com a sua morte, a Casa da Flor corria o risco de desaparecer, mas a persistência de outros homens, que também acreditam em sonhos a tem mantido viva. Já foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural da Secretaria de Ciência e Cultura do Estado do Rio de Janeiro.
Depois foi a vez da criação de uma sociedade civil, liderada pela professora Amélia Zaluar, para a reservação edivulgação da casa, com o nome de Sociedade de Amigos da Casa da Flor.
Talvez, a casa não passe de um sonho. Talvez seja como um corpo humano, dentro dela batendo o coração do homem simples que a ergueu. Por tudo isso, não há, os que ao visitarem, não se surpreendam com a sua simplicidade e beleza. Em São Pedro, um filho de escravos fez erguer um museu á capacidade do homem transformar pedras e Iixo nos mais belos ornamentos. Como mensagem Gabriel deixou sua casa, para todos os que ainda queiram sonhá-la.
COMO CHEGAR A CASA DA FLOR
O acesso faz-se saindo da praça dr. plínio de assis tavares, atravessando o centro, pela rj-140 (sentido cabo frio) até o km 6, dobrando a esquerda na estrada dos passageiros numa distância de 400 metros até chegar a ela.
http://www.casadaflor.org.br